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Criança hiperativa

 

Há crianças que não conseguem parar quietas. Custa-lhes prestar atenção e mostram sempre muita atividade física e mental. Costumam falar muito e com descaramento e normalmente diz-se que são «cansativos». Em muitas ocasiões os pais e educadores experimentaram todas as técnicas. Têm conflitos na escola, alguns colegas consideram-nos maçadores. Podem ter dificuldades de aprendizagem.

 

Em algumas ocasiões são rotulados como crianças mal-educadas ou mimadas, quando na realidade pode tratar-se de uma «criança hiperativa». Este é o qualificativo que se dá a uma criança que apresenta um ÷ «sindroma de hiperatividade-défice de atenção».

 

É uma criança que necessita duma atenção especial e melhora com a idade.

 

Se o seu médico lhe disse que o seu filho tem este problema, não deve angustiar-se desnecessariamente. Não pense que é o único. Pelo contrário, é uma situação comum, que afeta a 1 em cada 20 crianças, sobretudo rapazes. Deve saber que o seu filho não tem nenhuma alteração cerebral ou psíquica. Também não fique obcecado com as possíveis causas: não se demonstrou que tenha relação com aspetos da vida diária, nem com o tipo de comida, ou a influência da televisão.

 

O seu filho não é menos inteligente que os outros, simplesmente a sua «distração» impede-o de aproveitar a sua inteligência.

 

Criança hiperativa

 

 

O que deve fazer?

 

  • Tem de ser paciente.
  • Deve solicitar apoio profissional. Não costuma ser preciso realizar nenhum exame complementar, mas sim um tratamento farmacológico.
  • Em primeiro lugar, tem de aceitar o seu filho tal como é. Terá que assumir que:
    • É difícil que organize o seu trabalho: os seus trabalhos tendem a ser descuidados, e quando trabalha distrai-se muito facilmente. Terá mais dificuldade em aprender coisas novas.
    • Interrompe a aula com frequência com comentários ou atuações inapropriadas.
    • Custa-lhe esperar a sua vez quando está em atividades de grupo. Não consegue brincar calado.
    • Custa-lhe muito seguir as ordens que lhe dão.
    • Perde ou esquece-se com facilidade das coisas que necessita.
  • Também deve saber que:
    • Ele não consegue evitar ser como é.
    • Precisa de si apesar de não saber dizê-lo. Preocupe-se com ele e confie que possa superar perfeitamente embora lhe vá custar um pouco mais.
    • Deve estabelecer regras claras do que a criança pode e não pode fazer. Peça-lhe com serenidade que repita as suas instruções. Cumpra sempre os castigos e as recompensas. Elogie-o quando fizer bem o seu trabalho.
    • Tente conseguir um ambiente ordenado e organizado, sereno e sem gritos. Organize os horários de casa e faça com que ele os entenda. Deve sempre haver alguém em casa a acompanhar a criança.
  • Evite especialmente:
    • Repetir-lhe o mau que é.
    • Compará-lo com outras crianças ou familiares.
    • Castigá-lo com severidade e rotundidade. Não o isole dos outros (não sair de casa, não brincar com outras crianças).
    • Dizer-lhe: «Não sei o que vou fazer contigo». Diga-lhe antes: «Não te deixo fazer isto porque não é bom para ti», «Não te deixo fazer porque gosto de ti e não quero que te aconteça nada de mal».
    • Procure a sua parte boa, a sua nobreza de sentimentos.
    • É normal que às vezes você se sinta culpado, que só veja o negativo. As mudanças não se produzem de um dia para o outro. Com paciência e muito carinho conseguirá resultados importantes, e sobretudo ele sentir-se-á amado.
    • Mantenha-se em contacto com os professores do seu filho. Convém estimulá-lo para que prossiga e não se sinta vencido. Ajude-o a organizar-se para ir para as aulas, para fazer as tarefas, mas dê-lhe descansos frequentes e momentos de entretenimento.

 

 

Quando consultar o seu médico de família?

 

  • Se tem a dúvida de que o seu filho possa ser uma criança hiperativa.
  • Se tem alguma dúvida sobre a terapia ou a medicação.
  • Se se encontra assoberbado com a situação.

 

 

Excerto do Guia Prático de Saúde - da semFYC (Sociedad Española de Medicina de Familia y Comunitaria)

Traduzido e adaptado pela APMGF (Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar), julho 2013.